Armine, Sister

Armine, Sister

Armine, Sister

Teatr ZAR / Grotowski Institute

21 e 22 de Novembro

21h30

23 de Novembro

16h00

Bilhete Normal: 10€
Bilhete com Desconto (Estudantes; +65 Anos; Profissionais de Espectáculo) 5€

M| 16

 

Espectáculo dedicado à história, cultura e ao genocídio do povo arménio

A intenção original do espectáculo era ser uma apresentação em que nós não chamamos aqueles que já faleceram, mas onde os espíritos dos mortos clamam por evidência e leitura de traços. O título Armine, Sister é suposto ser as primeiras palavras de uma carta sem endereço claro, destinada a percorrer o tempo e o espaço.

Tendo em mente a perspectiva que Theodor W. Adorno desenhou para a poesia, a arte e até mesmo a educação após Auschwitz, gostaríamos de lhe fazer a pergunta: ” Será que o século XXI tem ipótese de não se tornar a era da ignorância?”

Através de um novo espectáculo, estamos a tentar fazer uma pergunta sobre a Europa, agindo na crença de que a mesma é uma pergunta – histórica, de identidade, e dignidade. Uma das ideias básicas de Armine, Sister é abordar o tabu e a falsificação da história, confrontados com o dever de testemunhar.

Enquanto trabalhamos na performance, recordamos repetidamente a fuga da morte de Paul Celan, na qual os sonhos dos perpetradores e vítimas se sonham num só espaço – o espaço do espectáculo e a mostra da memória, como o espaço do sono que é habitado por milhares de vidas. Armine, Sister toca na questão do quão doloroso o processo de recordar as memórias pode ser.

É também uma tentativa de identificar / desafiar o nosso lugar perante as gerações passadas e tentar entender quem somos – estando sempre do outro lado da memória, como do outro lado de uma câmera fotográfica. O nosso olho ainda observa a história através de uma lente: um traço, uma sombra, um pensamento …

O espectáculo é a primeira manifestação da nova actividade do grupo – WITNESS / ACTION

Witness/Action tenta definir um novo modelo presente nas artes cénicas. Não tenta criar um novo modelo neste domínio mas sim encontrar um modo além da categoria estética em direção a uma perspectiva ética, baseando-se na convicção de que toda situação performativa, entre o performer e actor, o receptor e o espectador, se torna uma conexão benéfica, que, por meio da arte, procura fazer perguntas relacionadas à dignidade e identidade humana. Witness/Action está em oposição à passividade da arte moderna e sua exclusão dos desafios mais importantes que moldam a nossa consciência.

Para co-criar o novo espectáculo, convidámos músicos que representam diferentes tradições musicais da Ásia Menor, Anatólia e Irão, e que encontrámos durante as nossas viagens. Os músicos que participaram da nova performance foram os seguintes: Dengbesz Kazo, cantor curdo nascido em Van, Murat İçlinalç, mestre de canto na Igreja de São Gregório, o Iluminador em Istambul; Mahsa e Marjan Vahdat, cantoras de Teerão; e Vahan Kerovpyan, compositor e percussionista nascido numa família de origem arménia em Paris. Também trabalhámos com a cantora Virgínia Pattie Kerovpyan. O colaborador mais importante na realização de Armine, Sister é Aram Kerovpyan, um mestre de canto na Catedral Arménia em Paris, originário de Istambul.

Aram Kerovpyan nasceu em Istambul e estudou canto litúrgico na Igreja Arménia, ainda como um menino. Aprendeu a tocar kanun e estudou as técnicas da música do Médio Oriente com o mestre Saadeddin Öktenai. Em 1977 mudou-se para Paris onde se dedicou inteiramente à música, tocando com muitos músicos do Médio Oriente. Em 1980 juntou-se ao Ensemble de Musique Arménienne, que depois mudou seu nome para Kotchnak. Desde então a música arménia tornou-se a principal área de sua pesquisa, especialmente o sistema de escalas modais de canções litúrgicas. Em 1985 fundou a banda de canções litúrgicas arménias chamado Akn. Em paralelo com o seu trabalho participa em conferências e seminários, realiza palestras na Europa e América do Norte e publica regularmente artigos e obras sobre a teoria da música modal arménia. É doutorado em Musicologia e desde 1990 que é o mestre do canto na catedral arménia de Paris.

Murat İçlinalça nasceu em 1985 em Istambul. Aos oito anos começou as aulas de canto com o mestre Nişan Çalgıcıyan. Estudou canto e a música folclórica no Conservatório de Música da Universidade de Técnica de Istambul formando-se em 2010. No mesmo ano foi nomeado mestre do canto na Igreja de São Gregório, o Iluminador em Istambul.

Dengbesz Kazo nasceu em 1950 em Wan e actualmente mora em Istambul. Realiza concertos com frequência onde canta músicas populares curdas, bem como as suas próprias composições. De acordo com alguns contadores de histórias também improvisa. Desde 1960 que a prática dos dengbêj, cantores migratórios e contadores de histórias, foi oficialmente banida pelo governo turco.

As irmãs Mahsa i Marjan Vahdat

Vahdat aprendeu tanto o canto clássico persa dos seus professores de música no Irão como a música regional e tradicional iraniana. Após a Revolução Islâmica de 1979 que as mulheres foram proibidas de cantar em público no Irão. Mesmo muitos anos após a revolução, o processo de exclusão das mulheres do património cultural do Irão continua: As mulheres podem aparecer apenas na frente de uma audiência feminina ou acompanhadas por um homem – nunca como solistas. Apesar disso, muitas cantoras iranianas continuam a fazer turnês. Mahsa e Marjan realizam concertos privados no Irão e, muitas vezes, no estrangeiro. O repertório delas consiste nas suas próprias interpretações da música regional e tradicional.

Vahan Kerovpyan nasceu em Paris e agora mora em Portugal. É um músico, instrumentista e compositor. Conduz oficinas de tambores e percussão desde tenra idade. Aprendeu a tocar o dehol com Edmond Zartarian e o zarb e o daf com Madjid Khaladj. Toca o piano e canta no coro arménio Akn. Desde 2003 que é membro da banda Kotchnak e músico do grupo Medz Bazar, criado em Paris em 2012.

Virginia Pattie Kerovpyan nasceu em Washington, nos Estados Unidos da América. Estudou e cantou em muitos coros e bandas de música antiga como solista e corista. Depois, partiu para a França onde continuou os seus estudos de canto na École Normale Supérieure de Musique de Paris e no Conservatoire National Supérieur de Musique. Virginia Pattie Kerovpyan actuou e gravou com muitas bandas de músicas antigas, tais como Les Arts Florissants, Ensemble Guillaume de Machaut de Paris, Per Cantar e Sonar, l’Offrande Musicale, La Grande Écurie e la Chambre du Roy. Em 1976 fundou, com Rouben Haroutunian, um dueto que mais tarde assumiu o nome de Kotchnak e, em 1985, ajudou a criar uma banda de canções litúrgicas arménias, Akn, da qual é vocalista.

Teatro ZAR

Ao cultivar os valores  do trabalho em grupo, realiza projectos artísticos através de pesquisas de fontes a longo prazo, com o objectivo de moldar uma nova linguagem do teatro baseada em música de várias tradições. A equipe internacional foi formada durante as viagens cíclicas de pesquisa para a Geórgia, entre 1999-2003. Durante essas viagens o grupo colectou material musical cuja essência é a canção polifónica que remonta às origens do principio da nossa era e que, provavelmente, é a forma mais antiga de som polifónico.

“Zar”, a partir do qual o grupo formou o seu nome, é o nome das canções funerárias realizadas pelos Svans, habitantes das altas regiões do Cáucaso no nordeste da Geórgia. O trabalho em grupo decorre da crença de que o teatro, ao contrário da visão grega, não só deve ser observado, mas, sobretudo, escutado.

“O Teatro ZAR leva o público a uma jornada polifónica, que une a mente, o corpo e a alma através de um som completo, simples e perspicaz. Isso é tão completo como o chamado da essência da humanidade onde no final do espectáculo os ouvintes ficam sentados em silêncio, tocados pela graça. ” Maria Shevtsova

actores / músicos:

DAVIT BAROYAN

    DITTE BERKELEY

    PRZEMYSŁAW BŁASZCZAK

    ALESSANDRO CURTI

    JAROSŁAW FRET

    MURAT İÇLINALÇA

    DENGBESZ KAZO

    ARAM KEROVPYAN

    VAHAN KEROVPYAN

    KAMILA KLAMUT

    ALEKSANDRA KOTECKA

    SIMONA SALA

    OREST SHARAK

    MAHSA VAHDAT

    MARJAN VAHDAT

    TOMASZ WIERZBOWSKI

workshop de canto modal: ARAM KEROVPYAN

colaboração vocal: Virginia Pattie Kerovpyan

cenografia realizada pela equipe de Piotr Jacyk:
MACIEJ MĄDRY, KRZYSZTOF NAWÓJ, PAWEŁ NOWAK, BARTOSZ RADZISZEWSKI, ANDRZEJ WALADA

luzes: MACIEJ MĄDRY

coordenação do projecto: MAGDALENA MĄDRA

dramaturgia musical, arquitectura de performance, dirigido por: JAROSŁAW FRET

 

Infos e Reservas:

bilheteira@teatroiberico.org

Tlf: 218682531

Tlm: 927510092