Laboratório de Criação Corpo e Inconsciente com Sara Ribeiro

Laboratório de Criação Corpo e Inconsciente com Sara Ribeiro

Laboratório de Criação Corpo e Inconsciente
com Sara Ribeiro

Datas e Horários | Laboratório de Criação:
2 Outubro a 4 Novembro 2017

Segundas,Terças e Quartas – Feiras
Das 19h30 ás 23h00

Inscrições:
sara@joaogarciamiguel.com

Valor Inscrição:
150 euros

Limite Inscrições:
12 pessoas

* Formação Artística de longa duração com o propósito de criação um objecto artístico com direcção de Sara Ribeiro, actriz da Cia Jgm. A apresentação do resultado final desta formação terá lugar no Teatro Ibérico em Lisboa.

* Para integrar esta formação os alunos deverão ter disponibilidade total nas datas e horários de trabalho estabelecidos.

* Pretendemos oferecer a experiência de criar em conjunto um objecto artístico. Essa experiência colectiva oferece maior profundidade ao trabalho do criador e uma ligação importante ao tempo real das coisas. Indispensável é a criação de um objecto artístico, e o processo criativo que tomamos nessa criação, mas também o momento final das coisas. O momento em que apresentamos aos outros o nosso trabalho e abrimos as portas da nossa alma ao público. Nesta formação, estes dois momentos estarão presentes.

“O nosso corpo é um processo de actualização permanente até que um dia se extingue e com ele se vai o som (os ruídos) e as imagens que o existir causa. Extingue-se não apenas a imagem do corpo físico como, também, os seus tempos e ritmos corporais. Esta consciência de somos um permanente trânsito — tanto interiormente como na relação com o exterior ¬— liga o corpo com o futuro a partir do presente e o futuro com o passado. O corpo vive no meio destes entretempos, destes dois tempos que o transportam para dentro de um estado criativo quando se toma consciência deles. Estar em permanência nesse estado criador é um imperativo natural do corpo. Como se pode trazer esse estado criativo em permanência para um actor? Como fazer este tipo de processo criador tornar-se um sistema de acção e fazer parte de cada gesto, de cada som do corpo do artista?

A criação ou estudo desse padrão onírico — estar num estado de sonho e ou visões vigilantes em permanência — é fundamental para o corpo do artista. Esse estado é uma abertura para um lugar de acesso a imagens de si e de mundos que o colocam mais próximo do seu inconsciente. A partir da abertura desse espaço de visões e de comunicação com o espectador, iluminam-se os corpos numa excitação de espíritos encenadores. É como se ambos, actor e espectador, se tornassem observadores participantes de uma “visão surda” encenada por ambos.

O trabalho dos artistas, no nosso entender, é feito desse perceber que o corpo que os transporta é um órgão do inaudito, como lhe chama Hugo Ball. Esta expressão é adequada à utilização do corpo em busca de uma voz criadora, desse estado de relação com a concepção de uma cosmogonia individual. Propomos desenvolver essas cosmogonias individuais a partir do som e das imagens arquetípicas como matérias de base. Nesse sentido busco em cada corpo de actor aquilo que, à falta de melhor termo, defino como uma musicalização do existir. É como se o corpo abandonasse a sua condição de instrumento e se tornasse presença de uma vibração ou energia que flui. Se tornasse uma música surda que se escuta sem se ouvir. Este inaudito é tornado audível e visível. E talvez se possa dizer, transformador do corpo num órgão sensível que lhe permite, e a quem com ele contacta, ouvir e ver o inaudito, mas também a si mesmo, como quem ouve e vê o que sente. Escuta, vê as imagens interiores e exteriores moldadas nas fibras da carne. Este invocar do corpo do artista, como uma abertura, ou criação, para o escutar do seu corpo e do mundo, é uma qualidade que impõe a existência de um território comum. Esta encenação do mundo é um abrir-se à pertença de, ou pelo menos, a tornar-se acessível por instantes ao indiferenciado. À passagem do caos ao cosmos.
É sobre este labirinto de conceitos que proponho trabalhar os corpos e os anseios dos actores que se candidatarem à formação Corpo e Inconsciente. “

João Garcia Miguel, 2017