Piaj, toujours

Piaj, toujours

O Teatro Ibérico tem o prazer de informar que o espetáculo Piaf, toujours, uma antologia em francês com as melhores canções de Edith Piaf, será reposto no dia 29 de Março às 21H30 no Auditório Beatriz Costa, em Mafra, e no dia 30, às 16H00 no Auditório Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira.

Para o espetáculo contamos com a voz da cantora francesa, de ascendência portuguesa, Bévinda, acompanhada ao piano por João Marques Domingos e direção cénica de Laureano Carreira.

Edith Piaf – Há pessoas assim: nascem envoltas numa tragédia que não mais as deixa. Por mais brilhantes que sejam os seus passos e as suas obras, eis de quando em vez a tragédia abate-se sobre elas. Assim aconteceu com Edith Giovanna Gassion, que no Panteão mundial da canção ficou como Edith Piaf (19/12/1915-11/10/1963). A mãe ganhava a vida cantando em café, o pai exercia a sua arte de circo onde calhava. Ainda menina foi abandonada e entregue à avó paterna, que em Bernay, na Normandia, era patroa dum bordel. As prostitutas que trabalham para a avó foram as suas primeiras e grandes amigas. Seu pai foi buscá-la e levou-a a percorrer as feiras onde exercia a sua arte. A miúda Edith passava entre os eventuais espectadores de mão estendida. Foi nestas circunstância que cantou pela primeira vez em público, numa feira na Normandia. Com 15 anos Edith fugiu de seu pai e foi viver para as ruas de Paris. Seu corpo era tão pequeno que passaram a chamar-lhe “La môme Piaf (de piaf, espécie de pardal)”. Mas a môme sabia cantar como ninguém, e encantar como poucas. Cantava as dores da rua. Foi nas ruas de Paris, na zona de Pigalle, que conheceu a que viria a ser a sua maior amiga de sempre: Simone Berteaut, dita “Momone”. Enquanto uma cantava, a outra estendia a mão aos transeuntes. Meteu-se com um tipo que lhe fez uma filha que morreu muito jovem. E um dia alguém que por ali passava a descobriu e a levou a cantar num cabaret nos Campos Elísios. Onde aparecem os grandes nomes da canção francesa da época, e alguns compositores. Entre estes, Marguerite Monnot que lhe vai dar algumas das canções que fizeram a volta ao mundo: Mon légionnaire, Hymne à l’amour, Milord e Les Amants d’un jour. Os homens vêm, os homens passam, o amor não fica. E amigos: Yves Montant, Marcel Cerdan, o pugilista morto num acidente de aviação a caminho de Nova Iorque, Charles Aznavour, e Jacques Pilles, com quem se casa para divorciar pouco depois, e ainda Georges Moustaki, que lhe vai dar, como autor, um dos seus maiores êxitos, Milord; e por último o casamento com o jovem Théo Sarapo, cabeleireiro de origem grega feito cantor dum dia para a noite. E sempre a correria dos concertos. E a morfina no meio de tudo isto, como que para acalmar as dores da vida. E por fim a morte, por exaustão ou outra coisa qualquer, no hospital de Grasse, em 1962. Mas tantos, tantos êxitos estrondosos. Homenagem à Môme Piaf? Sim, certamente. Mas na voz de Bévinda. Semelhanças? Nenhumas. Ou talvez algumas. Apetece dizer: La Môme Bévinda. Voz poderosa em corpo pequeno. Bévinda fez o alinhamento do que quer exprimir. Lá estão Mom legionnaire, Hymne à l’amour, Les Amants d’un jour, Milord, La Vie en rose, Padam, Non, je ne regrette rien, e tantas outras canções que na voz da Môme Piaf deram a volta ao mundo. (LC)

 

Bévinda – (de seu nome Benvinda Maria Ferreira Galvão), autora-compositora, e intérprete franco-portuguesa, nasceu no Fundão, mas ainda menina foi para França, com seus pais. E em França cresceu e descobriu o canto, primeiro em francês e logo depois em português. Na realidade, Bévinda começou a sua vida artística cantando em Paris em cabarets e bares canções em língua francesa. Mas os ares da Lusitânia não tardaram a impor-se, pelo que o seu primeiro CD, Fatum, editado pela Melodia e com realização de Lucien Zerrad na guitarra e no acordeão, saído em 1994, é já uma homenagem ao fado, revisto e personalizado pelo olhar que a distância da origem impõe.

Seguiram-se depois a edição de numerosos CDs, cujos títulos, à imagem da dualidade de Bévinda, alternam entre o francês e o português. Assim Terra e Ar, também na Melodia, e com o mesmo realizador; e depois Pessoa em Pessoas (homenagem a Fernando Pessoa), com arranjos de Vasco Martins, ao que se seguiu Chapelle des Lombards live, ainda no mesmo editor, e logo depois Chuva de Anjos; Bévinda muda então para o editor Rue Stendhal, onde saem sucessivamente alguns CDs: Lusitânia (que levou o crítico Jean-Yves Dana a escrever no jornal La Croix, em Abril de 2011, que “la voix est lumineuse, les melodies fluides ou sombres à mesure que le fado s’insinue), Opium à bord, Billes de gum, Serge Gainsbourg tel qu’elle (homenagem sob a forma jazzística ao grande Serge Gainsbourg), Outubro. Como o fado é algo que a acompanha desde a sua origem, cria em Paris, juntamente com Gilles Clément, seu cúmplice guitarrista, um atelier de criação de fado onde procura transmitir às gerações lusófonas nascidas em terras gaulesas o seu amor por este canto da alma, sem no entanto descurar a criação de canções em francês, a outra parte da sua personalidade. Em 2014 sairá o seu próximo CD, Fukaéri, em colaboração com Na Ton That. Todos estes CD têm dado origem a numerosos concertos e tournées em França e outros países, Bélgica, Itália, Portugal, Canadá, etc.

Ao aceitar fazer no Teatro Ibérico 6 concertos com canções de Edith Piaf, monstro sagrado no Olimpo dos Deuses da canção mundial, Bévinda reafirma aquilo que tem sido desde a sua origem como artística: uma cantora com duas almas. (LC)

João Marques (pianista) – Nasceu em 1969 e, sendo filho de um pianista e de uma cantora, desenvolveu desde muito cedo uma aptidão natural para a improvisação. Começou a tocar em público aos nove anos e rapidamente enveredou pela área do Jazz, tendo porém efetuado formação clássica no Conservatório Nacional de Lisboa. Mais tarde aperfeiçoou a técnica e interpretação pianística por vários cursos. Fez o curso de direção coral, curso de Medicina para músicos na Universidade de Aveiro (2010) e o workshop de ritmos latinos no Clube Jazz ao Norte. Como acompanhador de canto lírico, iniciou-se nas aulas da cantora lírica Lia Altavilla no Conservatório Regional de Santarém, com quem efetuou vários recitais. Tem gravado para a Antena 2, e gravados concertos ao vivo. Colabora regularmente em programas da RTP. Participou em vários recitais a convite da Expo 98. Numa incursão pelo teatro, desempenhou o papel de pianista na peça Master Class de Maria Callas encenada por Filipe La Féria, mais tarde no  musical My Fair Lady e, também como pianista, na digressão do musical Amália. Tem vindo a participar regularmente em concertos por várias salas em todo o país. No Sintra Central Hotel desenvolveu um trabalho como pianista e de dinamização cultural, organizando eventos culturais e um ciclo constante de exposições de pintura. Atuações regulares no Hotel Tivoli Lisboa. O seu particular gosto pela música de câmara e pelo jazz, como veículo para a criação improvisada, leva-o a estudá-los e a interessar-se cada vez mais pela interação, pela estética musical e pelo exaustivo apuramento da interpretação, sendo estes alguns dos elementos base, notórios na sua música. Gravou com Paulo Tafúl o CD de poesia e piano Castelos no Ar. Em 2010 o seu gosto pela representação leva-o a uma nova incursão pelo teatro, desta vez com O Bando e a peça Quixote, com música de Jorge Salgueiro. Paralelamente à estética clássica, além de participar em animação cultural integrado em espetáculos para eventos e a solo, desenvolve o trabalho de composição e construção de um trio original/Jazz, abordando novos espaços estéticos e musicais.

Laureano Carreira – É diplomado pela École Pratique des Hautes Etucles, IV Section, Paris, e doutor em letras pela Universidade de Paris III, Sorbonne-Nouvelle. Fez Estudos Teatrais no Institut d’Etudes Théatrales, Universidade de Paris III e Estudos Cinematográficos na École Nationale Louis Lumière, Paris, curso de realização cinema e vídeo. Jornalista, professor, autor e encenador, Laureano Carreira trabalhou na Radio France Internacional e foi professor em várias universidades portugueses, a última das quais a Universidade de Évora, Departamento de Artes Cénicas, na Licenciatura em Teatrais, onde ministrou os ensinos, enquanto especialista, de História do Teatro Português, Teorias do Teatro, Produção, e Escrita Dramatúrgica. Desempenhou também numerosas funções administrativo-pedagógicas, tais como Diretor da Comissão de Curso de 1º Ciclo, membro da Direcção da Comissão de Curso do 2º Ciclo, Presidente do Departamento de Artes Cénicas, e Presidente da Proto-Área Departamental das Artes. Dedica-se atualmente em exclusivo à escrita dramática (ópera e teatro) e à criação de espetáculos no Teatro Ibérico, onde desempenha as funções de Diretor Artístico. Na sua actividade de docente foi levado ao longo dos tempos a pronunciar  conferências sobre o teatro português em diversos pontos de Portugal e da Europa, assim como a assinar numerosos artigos da sua especialidade. Foi igualmente membro de juris de provas académicas de 2º e 3º Ciclo, em Portugal e em França. É detentor do Prémio Nacional de Ensaio de Teatro / Ministério da Cultura, Lisboa, 1983, e do Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores / Ministério da Cultura, Lisboa, 1995.

 

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